Em meio à crise, o mercado imobiliário encontra alternativas para seguir crescendo 

“Nós tínhamos a tendência de diminuir os espaços e conviver em lugares compartilhados do empreendimento. Agora a necessidade da pandemia vai no sentido contrário; buscamos uma vida melhor em espaços mais confortáveis, amplos e com mais qualidade” afirma Fábio Tadeu Araújo, sócio Dirigente da Brain Inteligência Estratégica, durante a live mediada pelo professor do portal InfoMoney, Ricardo Reis na última semana de maio. Com a crise mundial devido ao novo coronavírus, o mercado imobiliário foi bastante impactado. Entretanto, conforme avaliam especialistas do setor, a perspectiva é otimista e prevê um olhar cuidadoso para cada novo investimento. “Há tendências demográficas que já existiam e tendem a acelerar”, recorda Fábio sobre o futuro do contexto imobiliário.  

Uma pesquisa divulgada pela Brain em março, realizada com um grupo de 600 entrevistados que haviam indicado o desejo de adquirir um imóvel entre o último trimestre  de 2019 e o início deste ano, revela que, diferente do que se esperava, 55%  das pessoas dizia manter a decisão por fechar o negócio, contra 45% que haviam desistido. 

Segundo Cristiano Rabelo, CEO da Prospecta Inteligência Imobiliária, embora o grau de incerteza do cenário atual seja muito grande ainda, pois as pessoas seguem em choque e em processo de adaptação, a intenção de compra se mantém, porém um pouco mais prolongada e não a curto prazo. Cristiano revela que, segundo pesquisas, o reflexo disso é muito pontual. “Temos que analisar cidade por cidade. O impacto reflete a dinâmica da região”. Para o empresário, a realidade imobiliária vive esse recorte mais otimista por ser um caso avaliado por microrregiões, ao contrário de estruturas como a indústria, comércio e serviço, por exemplo, que sofrem mais drasticamente as mudanças causadas pela pandemia. 

Este ambiente pautado pelos especialistas do setor pode ser comprovado em índices de pesquisas recentes que demonstram que, desde o início da situação ocasionada pelo Covid-19, mais da metade das empresas da construção civil registraram vendas de imóveis. E, diferente do que se pensava, uma boa parcela delas, aproximadamente 35%, iniciaram as negociações na segunda quinzena de março.   

Com esse cenário, a necessidade atual é focar em planejamentos estratégicos a curto prazo que levem em consideração um ambiente ainda desconhecido. Além disso, esse também é o momento para fortalecer o contato e o relacionamento com o cliente, mesmo que de maneira virtual. Para isso, uma das apostas é avaliar o novo formato de trabalho e a busca por espaços pessoais mais amplos. 

Choque, transição, novo ciclo 

Pensando os impactos da atual crise, Danilo Igliori, economista chefe do Grupo ZAP e Chairman da DataZAP – Inteligência Imobiliária, defende um olhar em três etapas: choque, transição e a chegada de um novo ciclo. Ele avalia que mesmo que o presente seja de alguns pontos negativos, como, por exemplo, uma diminuição na demanda e na oferta, as possibilidades de crescimento posteriores a pandemia podem ser grandes. “A vida vai continuar, mas de uma forma diferente. O trabalho remoto nos mostra que as pessoas vão buscar por habitações maiores”, comenta. “As pessoas estão em casa e avaliam, neste momento, o que há de bom e ruim nos seus espaços”. 

Um outro ponto relevante durante a crise atual é o número de possibilidades disponíveis na digitalização dos processos. Marcus Araujo, CEO e Fundador da Datastore, avalia que o empreendedor imobiliário nunca esteve tão bem preparado comparado a outras crises do passado. “Isso é um cenário positivo, pois dessa vez nós só fomos pegos de surpresa na questão da digitalização”. 

O novo normal e a realidade do home office

Com a realidade do trabalho remoto, a possibilidade de uma transformação no tamanho dos escritórios num futuro breve é bem provável. Conforme pesquisas realizadas pela Buildings, 80% dos resultados apresentam uma necessidade de diminuição desses ambientes. 

Esse fator ocasiona um olhar diferenciado para os espaços pessoais que terão de ser maiores. “Estamos vivendo uma experiência única: dentro de nossas casas, repensamos os nossos espaços de uma forma mais intensa”, avalia Marcus Araujo. “Isso, inclusive, está fazendo o mercado de construção operar acima do esperado”. 

Desafios futuros 

Diante dessas análises e projeções, é possível considerar algumas tendências. O cenário de incertezas estará presente enquanto não tivermos soluções médicas mais concretas. O que deve ser avaliado desde já é o desenvolvimento de uma nova normalidade que trará mudanças no comportamento das empresas e das pessoas em relação à trabalho e moradia. Necessidades de espaços mais amplos e confortáveis já é uma verdade e tendem a ser cada vez mais necessários em diferentes âmbitos de consumo. Além disso, será fundamental repensar as formas de mobilidade, preservando esse olhar para o distanciamento das pessoas e as práticas de busca pelo essencial. 

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